Análise de Mercado · Proposta Imobiliária
Como Cada Geração Compra Imóveis no Litoral de Santa Catarina
Idade não define só quem compra — define o que a pessoa procura, o que teme e o que a convence. Entender isso muda a forma de vender em Itapema e Porto Belo.
O mercado imobiliário brasileiro entrou em 2026 com a maior intenção de compra de imóveis da série histórica: 49% das famílias, segundo a consultoria Brain Inteligência Estratégica. Mas esse número esconde uma diferença importante: quem está comprando — e por quê — varia muito de geração para geração. No litoral catarinense, onde convivem investidor, comprador de segunda residência e família em busca de moradia definitiva, essa diferença é ainda mais decisiva.
O Que os Números Dizem
O levantamento da Brain, feito com 1.200 entrevistas em todo o país no primeiro trimestre de 2026, mostra uma curva clara de intenção de compra por faixa etária: Geração Z (21 a 28 anos) lidera com 61%, seguida por Millennials (29 a 44 anos) com 51%, Geração X (45 a 60 anos) com 41% e Baby Boomers (61 a 79 anos) com 25%. Uma pesquisa anterior do Grupo QuintoAndar, em parceria com a Ipsos-Ipec, já apontava a mesma tendência: 50% dos jovens de 18 a 28 anos afirmam que pretendem comprar um imóvel, acima da média nacional de 41%.
Isso não significa que o jovem compra mais — significa que ele pretende comprar mais. A conversão de intenção em venda efetiva ainda é baixa em todas as faixas, e o poder de compra segue sendo o maior obstáculo citado, especialmente entre os mais jovens. Para o litoral, o dado relevante é outro: quem hoje detém o capital para comprar de fato ainda é, em grande parte, Geração X e Baby Boomer — e é esse público que sustenta o segmento de alto padrão e segunda residência.
Perfil por Geração — e Como Isso Aparece no Litoral
Baby Boomers (61–79 anos)
Menor intenção de compra em número (25%), mas maior poder de decisão em valor. Compram segurança patrimonial e imóveis já consolidados. Pesquisa da Folha PE mostra que essa é a geração mais resistente a apartamentos compactos — 27% afirmam que jamais morariam em um microapartamento. Na prática: venda com dados concretos, histórico do empreendimento e clareza jurídica. Essa geração decide com calma, não por impulso.
Geração X (45–60 anos)
41% pretendem comprar — o grupo que mais frequentemente já vendeu um imóvel para comprar outro melhor. Busca praticidade, planta funcional e localização estratégica. É o público mais sensível a comparativos objetivos entre empreendimentos: metragem, valorização, diferenciais reais. Convence-se com prova, não com apelo emocional isolado.
Millennials (29–44 anos)
51% pretendem comprar, o segundo maior índice do país. É a geração que compra estilo de vida, não apenas metragem: valoriza condomínio com lazer completo, sustentabilidade e identificação com o imóvel. No litoral, é o perfil que mais frequentemente busca a segunda residência como extensão da rotina — trabalho remoto, temporadas mais longas, uso pessoal combinado com potencial de locação futura.
Geração Z (21–28 anos)
Lidera a intenção de compra (61%), mas com a conversão mais baixa entre todas as faixas — poder de compra ainda é o maior entrave. É a geração mais aberta a formatos compactos: apenas 14% rejeitariam um microapartamento, contra 27% dos Baby Boomers. No litoral, hoje pesa mais como influenciador de decisão familiar e futuro comprador do que como comprador efetivo de alto padrão — mas é o público que vai definir a demanda da próxima década.
O Que Isso Muda na Prática
1
Não existe um único discurso de venda. O que convence um investidor de 65 anos afasta um comprador de 32.
2
A idade indica uma tendência de comportamento, não uma regra fixa — cada cliente ainda precisa ser ouvido individualmente.
3
No litoral, o público de maior ticket ainda é majoritariamente Geração X e Baby Boomer — mas a geração que decide a demanda de amanhã já está formando opinião hoje.
Fontes: Brain Inteligência Estratégica (levantamento 1º trimestre 2026); Grupo QuintoAndar em parceria com Ipsos-Ipec; Folha PE (pesquisa sobre Geração Z e moradia).